São doces e especiais minhas lembranças dos primeiros anos de escola e do início do meu contato com a leitura e com a escrita, que deu-se logo na pré-escola (essa era a denominação da época), com minha primeira professora, chamada Regina, com a qual, aliás, tenho contato até hoje.
Através do ato de ler
para a turma fantásticas histórias e de representá-las através do teatro de
fantoches, ela despertou em mim, a urgente necessidade de não apenas virar
páginas e páginas dos livros que eu encontrava em minha casa, mas também de
compreender, de decifrar, os segredos que aquelas letras, palavras escondiam.
Dessa forma, através do
material didático que havia na época na escola, muito bonito, colorido,
desafiador, passei a entrar em contato com todo esse magnífico universo e ao
fim daquele ano, eu já lia e escrevia minhas primeiras palavras.
E assim fui então, para
a primeira, a segunda série, ampliando minha leitura, utilizando o que eu tinha
disponível na escola e com livros que ganhava de meus pais.
Quando completei dez
anos, e já era uma mocinha cursando a quarta série, minha mãe me levou até a
Biblioteca Municipal da cidade, então
fizemos minha carteirinha e eu já podia, sozinha, caminhar pelas ruas da
minha casa até lá, para emprestar os livros que eu tanto desejava ler, e
descobrir tantos outros, de gêneros, assuntos e autores variados.
Também foi nessa época,
pois não tínhamos as facilidades de comunicação de hoje, que minha mãe me
incentivou a criar o hábito de escrever cartas para minha avó, que morava
longe, relatando tudo o que acontecia de novidade na minha casa, escola, e
assim por diante, com o principal objetivo de praticar a escrita, assim como enviar os cartões em datas especiais, tão
comuns naquele tempo.
Foi por meio da leitura
que também enriqueci minha escrita, aliás elas sempre caminharam juntas, pois
também, e também foi uma fase escolar que minhas professoras promoviam
concursos de redação entre as turmas, valorizando a escrita, sua importância e
nos incentivando a produzir.
Já quando fui para o
ginásio, e passei a ser aluna ilustre professora de Língua Portuguesa, dona
Sueli, com a qual tive a honra de trabalhar mais tarde, dei continuidade a esse
elo com a leitura e a escrita.
De fato, tive muita
sorte, pois passaram pela minha vida, muitas pessoas que sempre me orientaram
sobre a importância do conhecimento e sobre como a leitura é a sua porta de
entrada.
Elisangela Pereira Barreto.

